São Paulo, setembro de 2006
Por Victor Irigonhê - 01.10.06
Cheguei em são Paulo quinta (dia 14 desse mês), para ir ao Motomix, festival mais desorganizado da história, que viria a acontecer no sábado, dia 16. Ou assim eu esperava.
Sexta-feira à noite, recebo a notícia de que o festival havia sido cancelado pela prefeitura pois o Espaço das Américas, local aonde aconteceria o evento, estava com uns problemas de alvará. A produção do evento ainda não havia se pronunciado. Na mesma noite veio a notícia de que o evento poderia ser transferido para a Via Funchal. O único problema é que a Via Funchal tem capacidade para metade do público esperado para o Espaço das Américas, então a programação do evento talvez seria dividida em dois dias, ao invés de um só. No fim das contas, confirmaram só no sábado à tarde que o evento seria mesmo no Espaço das Américas, só que um dos dois palcos previstos não seria montado. Resultado: a programação seria dividida entre o sábado e o domingo.
Funhouse, 15 de setembro.
Noite anterior ao festival, ainda sem saber ao certo o que aconteceria com o mesmo, fui passear. Balada paulista, coisa e tal. Acabei indo para a Funhouse: festa de rock, uma banda (não sei quem eram e também não prestei atenção) tocando, lugar meio vazio. Cheguei lá depois das 02h00. Nada demais. Aí de repente alguém fala “parece que o Franz Ferdinand ta aqui”. Ninguém acredita, mas todos começam a descer para ver se não era verdade. Eu acabo indo também e aí vejo um monte de caras mega-branquelos, com cara de gringos, e reconheci um deles, o Alex Kapranos, vocalista do Franz Ferdinand. Ele estava lá com o tecladista da banda e mais o pessoal do Art Brut.
Conversei com eles, principalmente com o Alex, na verdade. Vou tentar compartilhar aqui coisas (possivelmente) interessantes da minha conversa com ele. Não vou lembrar direito de tudo, e certamente não vou lembrar da cronologia dos fatos. Se o relato parecer entediante, é porque eu com certeza estou esquecendo das partes mais interessantes.
Eu com minha camisa do Death From Above 1979.
E o Alex pra mim: Oh, DFA, DFA! Eles são uma banda divertida!Eu: Ah sim, eu gosto bastante deles, achei uma pena eles terem acabado.
Alex: Ah, você já viu eles ao vivo??
Eu: Não...Alex: Ah, eles são divertidos, são uma banda divertida. Mas do que mais você gosta?
Eu: Ah...de bandas recentes? Hmmm....ah, o Wolf Parade, acho eles geniais!
Alex: Ah, sim, o Wolf Parade! Oh, você gosta dos Strokes?Eu: Ah, acho eles OK, são legais.Alex: É que eu acho o Albert (Albert Hammond Jr., guitarrista da banda em questão) um guitarrista fantástico! Mas nos dois últimos álbuns, ele não tocou guitarra solo! Ele não tocou, só fez a base. Mas eu acho ele um guitarrista tão bom, ele tem um estilo muito próprio.
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Eu: E do que mais você gosta? Assim, de bandas recentes...
Alex: Ah, de bandas atuais? 1990’s, The Cribs (e mais um punhado de bandas britânicas semi-obscuras que eu não vou me lembrar agora).Eu: Ah, The Cribs. Eles que abriram sua turnê com o Death Cab né?Alex: Isso, isso! Eles são fantásticos, você tem que ouvir!Eu: Vou procurar ouvir. E o Death Cab, você conheceu eles então? O que você acha deles?Alex: Ah, a música deles é bem diferente da nossa né...Mas eles são legais. Eles caras OK. Ah, e eu adoro o Ben (Ben Gibbard, vocalista/guitarrista do Death Cab For Cutie e também do Postal Service), ele é um cara muito legal.
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Eu: Ahhh, outra banda que eu lembrei...dessa década também, que eu acho fantástica é o Xiu Xiu!Alex: Xiu Xiu? Não conheço.Eu: Sério? Eles são uma banda da Califórnia, de São Francisco ou São Diego, não me lembro bem agora...Mas eu acho genial. É Xiu Xiu, X-I-U X-I-U. Procura aí, você tem que ouvir.Alex: Ah tá, vou ouvir.
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Eu: Ah, eu gosto muito do Yeah Yeah Yeahs também.
Alex: Ah, sim, sim! Eu acho a Karen uma ótima performer, ela á muito boa. E o Nick é um grande guitarrista, também. Mas o baterista...(aí ele balbuciou qualquer coisa com um sotaque escocês que eu não entendi. Nunca saberemos se o baterista é quem ele mais gosta, ou se é do baterista que ele não gosta).
Eu: Ah, eu gosto muito do cara do Kills, eu acho ele um guitarrista muito bom! Primeira vez que eu ouvi, eu não acreditava que a parte instrumental era só ele e a bateria eletrônica.Alex: Ah, The Kills? Ah, sim o Jamie!!!
(Aí eu com aquela cara de “é...eu não conheço ele pessoalmente, sabe...”)Eu: É...Alex: Pois é, ele é muito bom, ele tem um estilo estranho e tal. É muita única a maneira como ele toca!
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Indo para a pista de dança. Estava tocando Kaiser Chiefs, “I Predict a Riot”, eu acho.Alex: Ooohhh Kaiser Chiefs....aahh...Eles são OK até, mas eu não consigo dançar com a música deles! Eu não consigo!
Eu: Hehe, eles tem algumas músicas legais até...
Alex também falou que não usa nenhum efeito em sua guitarra, porque acha que quanto mais simples você manter, mais criativo você pode ser. Falou que o Rio é lindo, mas que ele prefere São Paulo, porque é mais cinzento, parece mais com Glasgow. E umas outras coisas mais. Mas eu acho que já falei o que era mais potencialmente interessante, e o que eu me lembro melhor.
Espaço das Américas, 16 de setembro.
Primeiro dia do festival.
Annie and the Anniemaaaals
Nada demais. Sinceramente, achei um tanto sem graça. É aquele tipo de coisa que dá uma pena, sabe? Porque ela parece tão esforçada...mas não convence. Não foi ruim. Simplesmente não achei muito relevante.
Art Brut, top of the pops
Muito bom, melhor do que eu esperava até. Tocaram um set animado e, mesmo o Eddie Argos parecendo às vezes meio cansado, continuou sempre esbanjando carisma.
Momento hilário do show: no meio de Emily Kane, hit da banda, naquela parte mais calma em que ele canta “I don’t even know where she lives...” eles simplesmente pararam de tocar e Eddie começou um monólogo sobre amor e relacionamentos e deu conselhos à todos da platéia. Mais ou menos isso que ele falou:
“Se o Jay-Z estivesse aqui agora... se o Jay-Z estivesse aqui... ele me pegaria pelo braço, ele me seguraria assim pelo braço e falaria ‘Eddie, Eddie Argos...você pode ter 99 problemas. Mas a vadia não é um deles.’ E eu diria ‘Jay-Z, eu não gosto do seu tom. Mas você está certo, você está certo. Não é mais meu problema.’ E eu percebi isso sabe, porque, porque ela me ligou outro dia...e eu percebi, se você não está com uma pessoa, então é porque não era pra você estar com ela mesmo. Então se tem alguém aí na platéia, pensando em algum ex-namorado ou namorada...ESQUEÇA! ESQUEÇA!
1,2,3,4! Other girls went and other girls came....”
Franz Ferdinand, finalmente
Bastou eles entrarem no palco para a multidão começar a...hmm....aloprar. Algo assim. Esse show sim foi impressionante, bem melhor do que eu esperava. Eles têm uma energia e carisma fantásticos e sabem se portar e tocar como uma das maiores bandas da atualidade, o que de fato são. O baterista me impressionou. O baterista tocando Jacqueline realmente me impressionou. Gostei bastante.
Momento legal número 1: Alex falando algo assim:”Bem, ontem nós estávamos na Funhouse e conhecemos umas pessoas legais, e estávamos lá dançando. E vocês dançam mesmo! Então eu queria dedicar essa música agora para todas as pessoas que estavam ontem na Funhouse dançando com a gente. A pergunta agora é... São Paulooo...DOOO YOUU WANT TOOOO?????”E aí eu quase fui pisoteado.
Momento legal número 2: Alex Kapranos em silêncio e umas 10 mil (?) pessoas cantando “I love the sound of you walking away...you walking away...”
E foi isso. No dia seguinte eu voltei pra Brasília e não pude ir para ver a segunda metade das bandas que não puderam tocar no sábado e perdi o show do ADULT. Não vamos falar sobre isso.
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