Para quem adorou “O Albergue Espanhol”, vale a pena prestigiar este filme que mostra a história de Xavier, agora com 30 e poucos anos de idade. Em “O Albergue Espanhol”, Xavier se encontrou num país diferente e conhecendo pessoas diferentes que estavam na mesma condição que ele. Descobriu novas culturas, novas identidades e descobriu a si mesmo por meio de novas amizades. Xavier redefiniu sua vida e seus objetivos.
Já em “As Bonecas Russas”, Xavier percebe-se completamente perdido e resolve literalmente reescrever a sua vida como quem tenta encaixar as peças de um quebra-cabeça. O filme consegue retratar com maestria as crises pelas quais todos nós passamos em algum momento de nossas vidas. Digamos que Xavier é uma espécie de Nick Hornby francês.
Intercalando belas imagens com romance e toques de comédia, o diretor brinca com os clichês de maneira que o filme não se torna uma comédia romântica barata. Mantendo o mesmo elenco de “O Albergue Espanhol”, o diretor mostra a trajetória dos personagens à medida que eles vão aparecendo na história de Xavier, sem desviar portanto, do foco principal da trama.
Enquanto o tema de “O Albergue Espanhol” era a amizade, em “As Bonecas Russas” o tema principal é o amor ou melhor, a busca pelo amor. A grande sacada do diretor é fazer com que o público se identifique com Xavier e perceba que é impossível encontrar o amor idealizado. Xavier demora, mas acaba percebendo isso e corre atrás do prejuízo tentando consertar os erros que cometeu. O momento da analogia entre os relacionamentos e as bonecas russas deixa claro que Xavier aprendeu a lição. Resumindo, o filme é leve e te faz refletir. Sem dúvida, uma ótima pedida.
Les Poupées Russes Direção: Cédric Klapisch
Elenco: Romain Duris, Kelly Reilly, Audrey Tautou, Cécile de France, Kevin Bishop.
Nacionalidade: França / Inglaterra, 2005
Duração: 125 minutos
Gênero: Comédia Romântica
Classificação: 16 anos Academia 05às 16h, 18h40 e 21h20.
postado por Indiecent Music,
21.6.06
às
7:29:00 PM
Em 2002, em pleno auge do electroclash, o escocês Crème de Menthe lançou o single "Plastique", cujos lados A e B arrebataram elogios mundo afora e integraram o tracklist de dezenas de compilações voltadas ao estilo. "Mas e o álbum do Crème de Menthe? Ele não tem? Não vai lançar?", todos se perguntavam. Pois é, ele não tinha e nem lançou. Ou melhor... não tinha lançado até agora.
"The Impossibility Of Eroticism In The Suburbs" é o nome do tão aguardado - e inacreditavelmente demorado - álbum do Crème de Menthe. Nele, o escocês se mantém absolutamente fiel ao seu estilo Kraftwerk-vai-ao-clube-sadomasoquista. Além das músicas já conhecidas praticamente inalteradas, o disco traz ainda faixas inéditas que reproduzem com exatidão a sonoridade que embalou as pistas de dança quatro anos atrás. De fato o som de 2002 está tão bem encapsulado em "The Impossibility..." que não faz a menor diferença se esse disco foi lançado em 1993 ou 2008, ele é um dos álbuns clássicos de 2002 e ponto final.
Datado? Sim. Mas por que esse precisa necessariamente ser um adjetivo ruim? O Crème de Menthe enrolou, mas quando ele finalmente lançou seu álbum, ele garantiu que cada uma de suas faixas fosse deliciosa e capaz de sobreviver até ao prazo de validade vencido do electroclash.
A febre do revival 80's já passou, no entanto isso não significa que vamos deixar de ouvir ecos oitentistas por aí. Pelo contrário, já que essa década tem se mostrado uma inesgotável fonte de inspiração para diversas bandas da atualidade. O White Rose Movement é uma delas. Não há qualquer dúvida sobre quais sejam as influências desses londrinos. Está na cara que esses meninos passaram muito tempo ouvindo o som do pós-punk (inclua aí synthpop, new romantic, rock gótico...) e souberam muito bem como usar essas influências para fazer boa música do século 21. O álbum "Kick" está cheio de faixas contagiantes, muitas das quais não fazem feio numa pista de dança. Alguns destaques são "Cruella", "Deborah Carne" (uma emulação de Depeche Mode bem mais talentosa do que a que o próprio Depeche Mode tem feito de si mesmo nos últimos anos), além dos singles "Love Is A Number", "Alsatian" e "Girls In The Back".
Outra banda que também abusa da fórmula vamos-misturar-elementos-eletrônicos-e-de-rock-sombrio é o She Wants Revenge. Grupo de carreira expressa, o She Wants Revenge foi formado por dois DJ's de Los Angeles e em cerca de um ano já tinha um álbum lançado por uma major, a Universal. Assim como o White Rose Movement, esse duo também possui influências óbvias. A semelhança com o Joy Division é tamanha que isso faz com que algumas pessoas questionem os reais motivos da banda. Há quem imagine que a dupla estava rindo quando batizou suas músicas com nomes como "Out Of Control" e "Tear You Apart", enquanto outros se perguntam se o She Wants Revenge é "a melhor banda tributo da história da música ou o maior engodo desde o Spinal Tap". Polêmicas a parte, o auto-intitulado álbum de estréia possui algumas faixas que merecem ser ouvidas, é o caso de "Sister", "Broken Promises For Broken Hearts" e da hipnótica faixa de abertura "Red Flags and Long Nights".
Let Us Never Speack Again (2005)O lado "viagem" do Disco Punk
Por Luís Speedkills - 8.06.06
O segundo álbum do grupo californiano Out Hud soa como uma bela surpresa. Constantemente comparados à bandas como !!! e toda a galera da DFA Records, a banda opta por um lado mais experimental e chapado e com menos engajamento político que os caras do !!!, exceto nas faixas Dear Mr. Bush, There Are Over 100 Words for Shit and Only 1 for Music e The Stoked American.
As influências são um tanto quanto embaçadas, mas percebe-se, tranqüilamente, pitadas de New Order, muito dub e pós punk. Apesar dessa faceta experimental o disco não deixa de ter uma veia pop em alguns momentos como One Life To Leave e How Long, faixas com vocais femininos com um charme especial. Os instrumentais são muito bem trabalhados com várias nuances mantendo o clima dançante sem soar monótono.
Os destaques do disco, além das já citadas How Long e One Life, são The Song So Good They Named it, com batidas tribais e um belo trabalho de sintetizadores, e 2005 a Face Odyssey, com um trabalho instrumental no início que beira o lounge, não fosse pela batida forte e bem variada. Levada mais que agradável, cheia de variações, chapada até a tampa! Dear Mr. Bush, There Are Over 100 Words for Shit and Only 1 for Music, um ataque sonoro de quase doze minutos, é densa e elegante. Seria como se o New Order (na época do Low) resolvesse escrever uma música atacando a Margaret Thatcher.
Esse disco realmente foi uma das melhores surpresas de 2005. Com um lado mais alternativo (e por que não dizer psicodélico?) para o então disco punk. Enquanto o novo do Rapture e do LCD Soundsystem não chegam, bandas como o Out Hud, Hot Chip e !!! ganham espaço merecido.
Meninos e meninas, moças e rapazes, baixando compilações obscuras no meu bom, velho, prestativo e, porque não, próspero Emule, me deparei com essa eletrizante banda americana: Every Move a Picture, conhecida pelos nossos amigos do norte como San Francisco dance rockers. Não se trata de um electro com batidas pesadas que abusa dos sintetizadores, mas de uma singela “batida eletrônica” submersa no bom e velho rock.
Mas vamos direto ao que interessa: dançar, óbvio! As mais animadas que o tio conseguiu ouvir foram On The Edge Of Something Beautiful, mas pode chamar de At 12 AM que ela atende; Signs Of Life; St. John's Night; Chemical Burns, que tem uma pegada mais rock com acordes que lembram Are You Gona Be My Girl do Jet; e You're So Predictable.
Ah! Tem também músicas melancólicas e sem graça como a Chokebore, mas esse é o lado podre que fazemos questão de não lembrar – Ninguém é perfeito.
Quem gosta de The Bravery certamente irá gostar. Se quiser saber mais sobre a banda e ouvir algumas de suas músicas, vá direto ao oráculo artístico, o Orkut multimídia: MySpace.
O grupo Yeah Yeah Yeahs que começou sua carreira como banda de apoio dos Strokes em Nova Iorque, resolve dar o ar da graça em terras tupiniquins. A banda está confirmada para a edição desse ano do Tim Festival que deve acontecer no último fim de semana de outubro na cidade do Rio de Janeiro.
A banda é formada pelo guitarrista Nick Zinner, a vocalista Karen O e o baterista Brian Chase. O trio lançou seu primeiro EP em 2001, mas o estouro veio com o EP Machine de 2002. Em 2003, o primeiro álbum intitulado Fever To Tell chegou ao mercado fazendo com que o Yeah Yeah Yeahs deixasse de vez sua marca no mainstream do panorama indie. Em 2004, a performance arrasadora de Karen O pôde ser conferida no primeiro dvd da banda, o Tell me what rockers to swallow.
Depois de vários shows, o Yeah Yeah Yeahs entrou em estúdio e, após uma longa espera, o tão aguardado segundo álbum da banda é lançado em março de 2006. Bem diferente dos trabalhos anteriores, Show Your Bones apresenta um som menos visceral e mais elaborado. Agora os fãs brasileiros terão a oportunidade de conferir de perto a tão elogiada performance de Karen O e seus companheiros. Depois da passagem do White Stripes e Strokes pelo Tim Festival, é chegada a hora de sua ex-banda de apoio mostrar a que veio
Elas são (de fato) lindas, estilosas, inglesas (como sempre) e usam vestidos de bolinha. Na primeira faixa de seu disco de estréia, We are the Pipettes (lançamento programado para 17 de julho/06), as meninas dizem logo a que vieram, se achando gatas e perigosas além da conta. Parte da imagem é ditada pelos vestidos retrô, e musicalmente também se encontram muitos elementos dos anos 60 e dos B-52s.
Rose, Julia e Riot mereceram mais do que um breve parágrafo enquanto banda de abertura dos The Brakes pelo jornalista Jed Shepherd, encantado com a mistura de indie rock e sonoridade 60s. Músicas sobre garotos em escola de uniformes, provocações amorosas e performances na pista de dança guiam os temas do grupo.
A faixa que conquista qualquer ouvido de imediato chama-se Your kisses are waster on me. Pull Shapes lembra bastante Mamas & the Papas, Dirty Mind tem uns vocais com o timbre quase que exatamente iguais ao da Kate Pierson, do B-52s. E a faixa We are the Pipettes tem aquele lance cheeleader-sixties-wannabe-beatles-de-saia-pop-bubblegum (expressão cunhada por uma amiga minha que, na minha opinião, só depõe a favor do grupo) de apresentação/provocação.
Todas as faixas citadas podem ser ouvidas no myspace, e a performance das meninas também pode ser conferidas no clipe de Your Kisses are Wasted on Me.
Já o site não oferece muita informação objetiva sobre o grupo, mas o release ali presente conta a história do rock'n'roll do ponto de vista deles. Ao dizer que tal história não é linear nem progressiva, ganha pontos pela bagagem musical que é invertida a favor do som da banda, ao mesmo tempo que procura isentá-los de acusações (que seriam óbvias) de se ancorarem em estilos musicais datados.
Pouca coisa se acha sobre elas na internet, mas podem anotar: assim que sair a bolachinha, a banda sai do anonimato. Você leu primeiro aqui, e vai ouvir primeiro ao menos umas duas músicas na nossa festa de inauguração!