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The Organ
Por F Pop - 29.11.06



"Um Joy division tocado por mulheres", disse minha amiga Alessandra Araujo, que também escreve aqui no site, ao me recomendar a banda. Difícil situação, em que uma frase descreve tão bem uma banda, que resta pouco a se escrever para preencher o resto da resenha.
Mas vamos lá: Joy Division é mais do que uma banda, é um "estilo de vida". Qual é o grande mérito da banda? Ela é referência para o pós-punk. Bandas como Gang ou Four, Siouxie and the Banshees, Cure e outros ingleses ali na passagem dos anos 70 para os 80 começaram a fazer algo próximo ao punk, mas mudando algumas coisinhas. Letras densas e introspectivas substituíram temas politizados. O rock gótico beberia muito nesta fonte de tormento e claustrofobia. As características sonoras de tal momento, que se refletiram em Interpol, She Wants Revenge e no som das meninas do Organ, se resume a uma cozinha (baixo+bateria) extremamente vigorosa e guitarras um pouco mais limpas, com menos destaque, porém cortantes, e carregadas de um efeito chamado chorus, bastante característico. Trata-se de uma nova composição: não se usa uma bala de canhão para matar um mosquito. Ao contrário, o pós-punk tortura docemente nossos ouvidos explorando armas mais sofisticadas e menos óbvias.

E essa é uma possível descrição de "Um Joy Division tocado por mulheres".

A banda de Vancouver lançou, desde 2002, 3 Eps, sendo o último o de 2004: Grab that Gun.

Mais informações e músicas:
postado por Indiecent Music, 29.11.06 às   .0 Comentários

 

New Order
Por F Pop - 13.11.06

O New Order não chegou a Brasília

A notícia de que o New Order viria até Brasília soava inacreditável. Afinal, Goiânia tem se servido melhor de shows do que nossa cidade nos últimos tempos. Mesmo assim, a nata dos novos grupos e grupos grandes em geral costuma exigir uma pequena viagem até São Paulo ou Rio de Janeiro para assistir a algum festival.

Mas o New Order não conseguiu chegar até o público. E olha que a banda se esforçou!

A qualidade acústica do Nilson Nelson não permitiu que qualquer acorde da guitarra do Bernard Summers soasse bem. Não permitiu que se reconhecesse o baixo do Peter Hook, que não devia tocar em um som tão ruim desde os idos do Joy Division. Não permitiu que se ouvissem as letras. A banda não conseguiu passar seu recado; não chegou, literalmente, ao ouvido do público.Mas toda essa decepção não custou barato. Em alguns casos, como o da área VIP, a bagatela foi de duzentos reais. Uma área VIP na qual não foi servido um doritos, um copo de guaraná. O preço das bebidas estava alto dentro do Nilson Nelson, o preço do after-party também. Não é possível compreender a atitude da organização ao cobrar preços tão altos por tão pouco, já que não se investiu em qualidade de som, nem na apresentação do palco.

A postura da banda foi admirável, apesar do muchas gracias repetido ao longo do show, ao tocar por mais de uma hora e meia naquela ambiente. Foi o único momento em que se sentiu algum respeito à platéia. Para quem não sabe, fizeram parte do repertório músicas do Joy Division, como "Atmosphere", "Love Will Tear Us Apart" e "Transmission". Dos hits do New Order, sempre vão faltar alguns, mas não se pode reclamar: tocaram "Blue Monday", "Temptation", "Bizarre Love Triangle", "True Faith", entre outros.

Um show que vai entrar pra história. Pelos piores motivos possíveis!
postado por Indiecent Music, 13.11.06 às   .0 Comentários

 

Sally Shapiro
Por F Pop - 13.11.06

Quero ver alguém falar mal de Sally Shapiro

Sally Shapiro é melosa, fofa, puro tecnopop. Consegui três músicas da cantora até agora, e todas têm aquela carga dos anos 80 que não desencarna de nenhum artista dos dias atuais. Quase dancemusic, faz a gente começar a torcer o nariz, mas não nos deixa terminar. Lembrei-me da banda "Technique", cujo disco "Pop Philosophy" foi lançado em 2001 pela Trama aqui no Brasil, em formato de digipack e oriundo das gravações do selo "Poptones". Foi saudado como discípulo de New Order, outra classificação neutra nos dias atuais. Pois só aproveitei duas faixas do disco que comprei: "Unity of Love" e "Deep and blue". Não corram atrás disso, vocês podem perder o respeito pelo que escrevo aqui – apesar de Folha de São Paulo e Correio Brasiliense terem sido quem me induziu a comprar a bolacha.

Vamos ver no que dá na pista, próxima festa, usada com muito cuidado: I Know.

O álbum da sueca chama-se "Disco Romance". As três músicas disponíveis para download você acha no site oficial: www.johanagebjorn.info/sally
postado por Indiecent Music, às   .0 Comentários

 

Pequena Miss Sunshine
Por Alessandra Araújo - 9.11.06

Olive é uma menina que dá vontade de pegar na mão e levar pra casa. Impossível não se encantar com a sua pureza, inocência e vivacidade infantis. Ela é aquele tipo de menina que não faz a mínima idéia do poder que tem de encantar todos que estão ao seu redor. E é isso que acontece em "Pequena Miss Sunshine", não só a família de Olive é encantada por ela, mas o telespectador também sai completamente rendido por ela e pela história. Mas não vá pensando que ela é uma espécie de Pollyana, boba, insossa e que acha que tudo é feliz e cor-de-rosa. Olive é autêntica, inocente apenas porque tem 7 anos de idade e longe, muito longe de ser boba.

Logo no início do filme, Frank (tio de Olive) ao reencontrá-la depois de algum tempo, solta aquele clichê "nossa, como você cresceu!" e depois emenda "parece até uma pessoa de verdade". A grande questão é essa, no início você pensa que Olive é apenas a criancinha que está lá para enfeitar o filme e não dá nada por ela. Daí você (e o Tio Frank) percebem que se enganaram redondamente, Olive não parece uma pessoa de verdade, ela definitivamente É uma pessoa de verdade. Apenas dois membros da família parecem perceber o incrível potencial de Olive: a mãe e o avô. Você percebe que o tempo inteiro, a mãe a trata como uma pessoa normal, com respeito e sinceridade.

Ao longo da trama, o restante da família vai descobrindo a importância da menina e o quanto ela é maravilhosa (apesar de não saber). O interessante é que isso não é dito com palavras e sim com atitudes. Tudo é tratado com muita sutileza, humor e emoção. Alternando tragédia e comédia sem apelação, a leveza é mantida do início ao fim.

"Pequena Miss Sunshine" é um filme que aborda muitos tópicos, mas o foco principal é sem dúvida, a esperança. Olive é a personificação da esperança. Quando a família inteira se vê completamente desmoronada, todos correm para salvá-la, ou melhor, salvar o sonho dela de ser a Pequena Miss Sunshine.

Está aí um filme que ganhou fácil o primeiro lugar no meu ranking dos melhores filmes de 2006. Porque ele tem um roteiro simples, é leve, inteligente, divertido, apaixonante e sensível sem ser dramático. Você se identifica em meio a todos os imprevistos e conflitos familiares com muito humor e sem ter que torcer o cérebro para entender tudo que o filme quer ensinar. Sim, porque ele é uma lição de vida. Com certeza você não sairá do cinema com a sensação de ter perdido tempo e dinheiro, muito pelo contrário. E não se deixe enganar pelo título porque Olive é grandiosa demais para ser a "Pequena Miss Sunshine".
postado por Indiecent Music, 9.11.06 às   .0 Comentários

 

The Long Blondes
Por Alessandra Araújo - 8.11.06



Finalmente saiu o tão esperado debut álbum da banda The Long Blondes. Intitulado "Someone To Drive You Home", o disco traz algumas faixas que já haviam sido lançadas em singles como o hit "Guiddy Stratospheres", "Weekend Without Make Up", "Separated by Motorways" e "Lust In The Movies", porém em novas versões, tão boas quanto as originais.

A banda é de Sheffield, formada por Kate Jackson (vocal), Dorian (guitarra), Emma (guitarra e teclados), Reenie (baixo), Screech (bateria). A influência do som dos anos 80 é evidente e o vocal grave de Kate em muitos momentos me lembra o de Chrissie Hynde dos Pretenders. O apelo retrô não se limita ao som, o visual da banda é também inspirado em décadas passadas, seguindo a mesma linha das bandas indies atuais que recriam o antigo o tornando moderno e cool.

The Long Blondes já é um nome relativamente conhecido no cenário indie, já vinham fazendo vários shows pela Europa. Chegaram inclusive a abrir shows do Franz Ferdinand, mas só agora resolveram liberar o primeiro álbum. Devo dizer que valeu a pena esperar, pois a banda não decepcionou. Só não entendi porque músicas como "Appropriation" e "Fullwood Babylon" ficaram de fora se são tão sensacionais.

Lançado pela gravadora Rough Trade (que trouxe ao mundo Smiths, Strokes e Libertines) e produzido por Steve Mackey (que tem no seu currículo nomes como Pulp e MIA) , o "Someone To Drive You Home" é um disco bem fácil de ouvir. Não tem nada de inovador e extraordinário, mas merece atenção já que a banda não conquistou seu espaço à toa. Os músicos são muito bons e apostam na fórmula infalível do pop-rock-com-muito-estilo. Como ele já vazou na rede (pra variar), é só baixar.

Links:
postado por Indiecent Music, 8.11.06 às   .0 Comentários

 

Patti Smith no TIM
Por Alessandra Araújo - 3.11.06
Foto:Alexandre Schneider

A expectativa que eu tinha do show da Patti Smith era algo do tipo "mais um show pra eu esperar em pé antes de ver o YYY", mas devo confessar que a velhota (com todo o respeito, claro) me surpreendeu. Eu não conhecia praticamente nada dela, mas foi possível curtir o show sem achar que era um sacrilégio (ao contrário do show do Mombojó). Patti Smith e sua banda souberam conduzir muito bem um show que acredito ter agradado a quem era e quem não era fã.

Na platéia era fácil distinguir quem tinha ido lá pra ver Patti Smith, pois os cabelos grisalhos condenavam. Pela reação dos fãs que estavam ao meu redor, deu pra perceber que o repertório foi muito bem escolhido, já que eles cantavam e dançavam o tempo inteiro.

Ao contrário do YYY, Patti Smith tem uma postura revolucionária, fez discurso o tempo todo condenando o governo e ressaltando o poder do povo, dizendo que nós temos que lutar porque nós é que devemos comandar o governo e não o contrário, no melhor estilo hippie-way-de-ser.
Os pontos altos do show foram a abertura com "Gimme Shelter" , dos Rolling Stones, "People Have the Power", "Because the Night" e "Gloria" encerrando a participação da banda e deixando o público aquecido para o show do YYY.
postado por Indiecent Music, 3.11.06 às   .0 Comentários

 

 

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