_As festas roqueiras promovidas no cenário indie existem desde que o mundo é mundo. No entanto, quem frequentou os inferninhos paulistanos no decorrer da década de 90 sabe da mudança que ocorreu pouco a pouco na imagem dos agitadores desse tipo de evento. Antes tidos como meros trocadores de CD, hoje, em alguns clubes, existem DJs que gozam de status de banda. Isso aconteceu precisamente na virada do século, quando os grupos mais hypados começaram um movimento de resgate que ainda perdura. Assim, o que uma vez foi tido como cafona virou moda, ganhou releituras, ficou estilizado.
_No meio alternativo, há um embate que se trava, de uns anos pra cá, a respeito dos DJs que animam as noites tendo como base o rock’n’roll e suas expansivas variações. De fato, o estilo sempre esteve muito mais associado a guitarras e performances ao vivo do que com um grupo de jovens malucos pulando debaixo dum estrobo. Nesse contexto, a despeito das casas que proliferam suas noites temáticas, e do público cada vez mais devotado, observamos que a grande maioria dos DJs no segmento não abandonam a lógica do passado. Ou seja, limitam o ofício a revezar CDRs nas pick-ups.
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_Por isso é tão insólito, nos dias que correm, entrar numa balada e acompanhar o set-list de profissionais como o DJ Alexandre Bezzi. Figura carimbada na cena desde os cambaleantes anos 90, ele tem um estilo único e inconfundível em suas trilhas sonoras. As faixas raramente são tocadas na íntegra, tudo é editado e trabalhado. O ponto de partida, como não poderia deixar de ser, são músicas de outros artistas; porém, o conjunto apresenta uma massa sonora sincopada, lapidada com a destreza de quem sabe o que faz e quase não revela distinção entre uma música e outra, como é comum nos sets de eletrônica.
_Ninguém que já tenha papeado um pouco com o rapaz pode dizer que ele não é uma enciclopédia ambulante de música e cultura pop. Sua paixão pela música o levou a trabalhar, em 94, numa loja de discos. Lá, ampliou seus conhecimentos e em 99 discotecou pela primeira vez na famosa Torre do Dr. Zero, em seus tempos áureos, cobrindo a lacuna de um DJ convidado que cancelara em cima da hora. Sua sequência agradou e, de lá pra cá, não parou mais de receber convites para tocar.
_Em 2003, quando as festas de rock ficaram badaladas, Bezzi já tinha um nome no cenário e uma pequena legião de seguidores. Consolidou-se tocando vertentes que marcaram seu estilo: Discopunk, clássicos de época, indie-rock, Disco Music e também novidades, já que é um garimpador nato; e que seu tino para perceber novas tendências, até aqui, tem se mostrado infalível.
_Foi na festa Rockerz (promovida junto com amigos), nessa mesma época, na reabertura d’A Torre, que Bezzi se firmou de vez. Seu nome estampava os flyers de praticamente todas as baladas da cidade - o que lhe rendeu credibilidade suficiente para realizar, em 2004, a primeira noite de revival dos anos 90 por aqui, instalada no Copan.
_Depois disso, foi residente na Fun House. Seu som entupiu de gente as noites de sábado durante um ano inteiro, sendo até assunto para pauta em jornal. Antes de se aposentar como promoter, ainda teve fôlego para dar cabo de outros projetos, fixos e itinerantes, em lugares como os extintos Atari Club e Amp Galaxy, entre outros.
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_Atualmente, Bezzi segue trabalhando como produtor de trilhas Street art /ilustrador. Suas viagens para tocar em outros estados têm se tornado cada vez mais frequentes. Entre as trilhas de destaque, já fez faixas para as lojas Colcci (verão 2006), os desfiles da marca Laundry Clothes na Casa de Criadores (inverno/verão 2006) e para desfile da primeira turma de moda da Belas Artes (2006). Já criou estampas para as marcas Peanut Company, Candyland Comics, Laundry Clothes, Banca de Camisetas, Nkd, Madrats e tem muita coisa nova pela frente.
_Também colaborou com o departamento de gráficos da MTV Brasil (2001/2003) e com os sites Bitsmag, Rraurl.com, Mini+, Coquetel Molotov, Rock press, Punknet, Bacana e Popmix, criando podcasts e assinando artigos sobre música e comportamento.
_Suas desventuras notívagas foram imortalizadas pelo combo de Electro-Rock Cansei de Ser Sexy na conhecida música que leva seu sobrenome, em 2003. A MP3 pintou no Trama Virtual e foi cartão de visita do conjunto fashion freak que mais tarde viria a estourar.
_Em 2006, assinou contrato com a Clunk djs, estabelecendo-se como o segundo DJ de rock agenciado na América Latina – o primeiro é João Gordo. Um privilégio para poucos, ou, no mínimo, um fato histórico.
_Eduardo Ribeiro*2007
_.*Eduardo Ribeiro é jornalista cultural e redator do site do Skol Beats. Trabalhou como repórter no Estadão e JT e colabora com veículos como as revistas Bizz, Dj mag e Simples, os sites Omelete e Rock Press e o caderno Folhateen..
_CSS - Bezzi.mp3_E você? Já pegou o Bezzi? Não!!??
_Então não perca tempo e vá na festa que com certeza será uma das melhores da história da Indiecent Music.
_Mais sobre o Bezzi:
_MyspaceFlickrSets & podcasts
1 Comentários:
Escutem e leiam minha nova coluna no site Chic.
http://chic.ig.com.br/materias/461501-462000/461990/461990_1.xml
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