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Digital Penetration
Por Thays Hungria - 04.01.07

Ao olhar para essa capa, você quase pode ouvir a menina dizer "U-hu! Descolei um modelito de 1991 e to indo pro trance. Cadê meus malabares? Ah, tão aqui atrás, vou pegar eles fazendo uma ponte". Porém, ao contrário do que a capa sugere, o conteúdo dessa compilação é fino.

Fino e muito temporal. Digital Penetration é um desses discos que não deixam a menor dúvida sobre quando foram feitos porque têm a cara de uma época. Nesse caso, a época é o exatamente agora e, como é tão característico dos nossos tempos, as faixas dessa coletânea são uma mistura muito livre das mais diversas influências do rock e do eletrônico. No tracklist há bandas que já conquistaram uma certa projeção, como Klaxons, Cut Copy e Architecture In Helsinki, e também bandas fresquinhas que ainda estão buscando seu lugar ao sol.

Uma delas é The Neon Plastix. Eles são de Doncaster, cidade do norte da Inglaterra que é vítima de constantes piadinhas porque está falida e cheia de presídios. Mas não será o Neon Plastix que vai fazer a imagem de Doncaster passar de wasteland para pólo criativo. O som da banda é um electro-new-wave-rock divertido e pistável, mas que não sai do esquema ouça-hoje-descarte-amanhã.

Já o duo Dandi Wind não precisa se preocupar em salvar a reputação da sua cidade. Eles moram em Montreal e (coincidentemente ou não) seu electro sujo e experimental remete bastante a um dos filhos pródigos da cidade, o Les Georges Leningrad. De fato, a faixa que está na coletânea, Balloon Factory, é o dancefloor killer que o Les Georges Leningrad nunca conseguiu fazer.
Dandi Wind

Também de Montreal, o We Are Wolves contribui com uma das faixas do seu álbum de estréia. O imperdível debut Non-Stop Je Te Plie En Deux é uma espécie de cruzamento do eletrônico teutônico do Von Spar com os sintetizadores que acham que são guitarras do Magas e a atitute rocker do Death From Above 1979.

Outros bons momentos ficam a cargo do Mother And The Addicts e da Theoretical Girl, com suas guitarras cobertas de efeitos que lhes dão uma textura sintética, e também do Crystal Castles, cuja chip music vai soar bastante familiar para os frequentadores do site micromusic.net.

Por último, porém não menos importante, vem o These New Puritans. Esses meninos de apenas 19 aninhos montaram uma das bandas mais instigantes dos últimos tempos. Tentar colocá-los sob algum rótulo é um esforço inútil e eles próprios nem se dão ao trabalho de ajudar. Quando perguntados sobre quais são as suas influências musicais, eles citam nomes de livros. Embora desafiem comparações, não seria injusto dizer que o These New Puritans soa como se o Joy Division e o Throbbing Gristle tivessem se unido para atacar o artrock. Bom, o melhor mesmo é ouvi-los. Veja o These New Puritans tocando Elvis.

Links:Todos os nomes de banda dessa resenha são clicáveis e levam direto para o myspace delas.
postado por Indiecent Music, 4.1.07 às   .0 Comentários

 

 

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