Quando o veterano duo alemão Alter Ego lançou sua hypada música nova, Why Not?, foi uma coisa meio.. "ah.. isso é só mais algum techno qualquer. Qual é o motivo desse auê todo?". Agora se o assunto for o álbum Why Not?, dá até para assinar embaixo das recomendações para ouví-lo.
Experientes que são, nesse disco o Alter Ego muito mais mostra um vasto background musical do que tenta desbravar alguma nova fronteira desconhecida. O que eles fizeram foi empregar muito bem elementos de febres recentes do eletrônico undergound, como a fusão de electro e minimal em Jolly Joker ou o flerte com o fidget house em Fuckingham Palace. E que tal Gary, uma faixa que lembra From The Double Gone Chapel, "o álbum gótico" do Two Lone Swordsmen.
BÔNUS! E falando no Two Lone Swordsmen, esse post traz de brinde o espadachim solitário Andrew Weatheral salvando uma música da carreira solo da Siouxsie Sioux.
Nesse final de semana (sáb. 22/12) a delorean participará de uma venda especial de natal em Brasília juntamente com a Ferrugem. Peças incríveis com preços ótimos e também estará à venda a linha limitada de T-shirts Discozilla produzidas pelo Dj Bezzi. Quem levar 02 ou mais peças da delorean ainda leva de brinde um cd com uma seleção de músicas especiais para embalar seu final de ano!
Incrível como as coisas mudam tão rápido. Menos de dois anos atrás, eu estava na casa de um amigo em Barcelona, daí do nada ele vira para mim e diz: "O que você acha do Chile?". Completamente sem entender o que teria motivado essa pergunta, a única resposta na qual consegui pensar foi: "É um país bem estreito". Ao que ele respondeu: "Ah.. é só que eu queria saber o que vocês brasileiros pensam sobre o Chile, já que o Chile é o país mais avançado da América do Sul". E eu: "Hein?!". "É.. as coisas chegam lá antes. Todos os brasileiros que conheço são muito sol e praia".
Bom, eu nem tinha como retrucar isso. A maioria dos brasileiros é mesmo muito sol e praia. E também nem dava para eu fazer a patriota e ficar defendendo o Brasil porque eu mesma não consumia praticamente nada de música brasileira naquela época. No entanto, hoje em dia não podem faltar uns bons vocais em português nos meus sets. Parece que num curto espaço de tempo, uma nova onda brasileira ganhou volume e o território nacional se tornou pequeno, então ela saiu para divertir pessoas ao redor de todo o globo, e de quebra ainda contribuiu para que a imagem do Brasil deixasse de ser a de um pântano cultural, atrasado até em relação a uma titiquinha de país como o Chile, e passasse a ser a de um trend-setter.
O post sobre músicas de comerciais ali embaixo é um bom exemplo disso. Não é só o CSS que empresta sua música para vender iPods. Lá na Espanha, meu amigo pode ligar a TV e ver esse comercial da Nokia que tem Solta o Frango do Bonde do Role como música de fundo (falando em Bonde do Role, parece que a banda está terminada devido ao clássico "desentendimento entre os integrantes". Pena! Que eles se re-entendam!). Mais recentemente, o ex-roqueiro oportunisticamente transformado em MC de funk carioca Edu K foi recrutado por outra fabricante de celulares, a Sony Ericsson.
E aproveitando todo esse assunto sobre a nova onda brasileira, o Zombie Disco Squad - dupla de DJs londrinos e grandes fãs de Funk Carioca (ou Baile Funk, como eles chamam por lá) - postou em seu blog um link bem bacana para um artigo em que um jornalista do Guardian escreve sobre a atual invasão da língua portuguesa na música.
Alguns comentários sobre esse artigo: - Acho meio exagerada a importância que o autor dá à participação dos músicos lusófonos. Pode até ser interessante observar como os vocais em português estão mais comuns, mas quando você para para olhar, foi só uma ou outra banda que conseguiu de fato se dar bem lá fora.
- Demorou de o UDR ser lançado internacionalmente!
Bom, aí está uma tradução do artigo. Quem preferir ler o original, é só clicar aqui.
Porque a língua da dance music é o português O português está se infiltrando na nossa cultura musical - independente de a gente entendê-lo ou não por Danny McFadden, The Guardian
Essa semana, em três ocasiões diferentes, eu me peguei terminando uma conversa com um bastante inseguro “obrigado”. Eu não falo português (agradecer nessa língua era apenas um gesto cortês), mas talvez mais de nós devessem aprender esse idioma: parece que ele guarda ambições de se tornar a língua número um da dance music.
A primeira dessas ocasiões foi com o Buraka Som Sistema - que estavam fazendo um DJ/MC Set no Tramp Club em Manchester. Voltado para o kuduro - um estilo surgido na Angola - o som deles se desenvolveu da tentativa de garotos africanos em fazer techno, resultando num híbrido que reflete tanto a cultura local angolana quanto as correntes da música eletrônica estrangeira. Tudo isso culminou numa fusão de zouk, soca e dancehall que veio a se tornar uma próspera cena em Lisboa (a antiga metrópole) e que, por sua vez, absorveu influências de dubstep, drum’n’bass e fidget house de selos britânicos como Dubsided e Counterfeet.
O “progressive kuduro” do Buraka Som Sistema, na verdade, parece ser um primo próximo do funk carioca do Brasil. Os dois estilos estão indentificados com uma divertida e furiosa world music que está a anos-luz de distância do tipo de coisa popularizada por Peter Gabriel e Paul Simon tempos atrás.
Fui então consultar o DJ Gorky do Bonde do Role. Discutimos se a língua representa uma barreira para a conquista do público britânico e ele respondeu que isso é algo que ele e seus compatriotas estão tentando superar.
De qualquer forma, o português está conseguindo penetrar na cultura mainstream do Reino Unido. Exemplos disso são a música Gatas Gatas Gatas do Edu K, que está servindo de trilha sonora para o último comercial da Sony Ericsson, e também o sucesso do CSS (OK, esse último nem conta tanto com o português para seu ataque contagiante). Há ainda a colaboração da dupla Sinden & Count Of Monte Cristal com o MC de funk carioca Thiaguinho, na música Tamborzuda e, além disso, o Radioclit está prestes a lançar Bonde da Orgia de Traveco do UDR, através do seu selo Uppercuts.
“Eu sempre imaginei que esse momento ia chegar, com a globalização e tal”, disse o Edu K durante uma conversa que mais uma vez terminou com um tímido “obrigado”. Lamentavelmente, esse homem, que fala inglês completamente fluente, com linguajar de hip hop e tudo, pareceu bem impressionado com esse raro esforço.
As propagandas estão cada vez mais querendo conquistar nossa atenção não só pelos olhos, mas também pelos ouvidos. Você pode até não adquirir os produtos que estão sendo anunciados, mas há grandes chances das músicas agradarem os seus ouvidos. As bandas devem adorar quando uma de suas músicas é escolhida para fazer parte de um comercial de alguma marca famosa. Afinal, já diz o ditado que a propaganda é a alma do negócio. Vejamos alguns exemplos:
Carolina Herrera - Rooney - "I´m a terrrible person"
Motorola - Shiny Toy Guns - "Le Disko"
Lacoste Essential- Feist - "Mushaboom"
Fiat Punto - Shout Out Louds - "Shut your eyes"
iPod Touch - CSS - "Music is my hot sex"
postado por Alessandra Araújo,
5.12.07
às
8:10:00 PM