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"500 Days With Summer", ou "500 Dias Com Ela", passa no FIC Brasília essa semana. Esse filme me chamou a atenção porque o mote da história é a paixão por Smiths que aproxima um casal. A trilha sonora é recheada de músicas boas, a fotografia é ótima, o roteiro é bem original. Uma comédia romântica acima da média, estréia do Marc Webb, diretor de videoclipes que incorpora essa linguagem ao filme.
A outra dica é um documentário sobre tecnobrega e, melhor, esse pode ser assistido de graça, bem aqui. É o "Brega S/A", de Vladimir Cunha e Gustavo Godinho. Acho sempre interessante compreender esses fenômenos da indústria cultural.
– Gostaria de convidá-las para passar o fim de semana comigo. Nós iremos comer, beber um bom vinho, e faremos amor. – Quem exatamente irá fazer amor? – Se tudo der certo, nós três.
Vicky Cristina Barcelona está em cartaz no Brasil há algumas semanas, mas o burburinho continua, e com razão. A premissa é simples: duas amigas americanas decidem passar o verão em Barcelona. Cristina (Scarlett Johansson) continua frustrada depois de escrever, dirigir e atuar em um curta, é a artista que busca alguma forma de expressar-se e sabe apenas o que não quer. Vicky (Rebecca Hall) escreve uma tese de mestrado sobre a identidade catalã, e é a estudante que parece saber exatamente o que quer, e se rende ao toque do violão espanhol.
Elas caminham, conhecem a cidade e se encantam, mas cabe a Javier Bardem apresentar às jovens um verão realmente espanhol na visão de Woody Allen, que transforma Barcelona em lugar onde tudo pode acontecer, mas sem fugir do cotidiano. O assassino psicótico dos irmãos Coen é, agora, o pintor catalão – naturalmente sexy – Juan Antonio, que ama todas e ama ninguém.
E como se duas mulheres não fossem o bastante, Allen presenteia o público com Penélope Cruz na pele de María Elena, a ex-mulher de Juan Antonio. Linda e mais espanhola do que nunca ela é a artista que vive em uma realidade só dela, com talentos que se perdem em algo que parece loucura, e rende as cenas mais engraçadas do filme.
Juan Antonio as une, mas não em torno dele. Estão todos, na verdade, em busca do seu prazer, daquilo que os inspire e dê felicidade, seja qual for o conceito de felicidade que cada um tem. Os personagens do filme abraçam a sua condição, suas carências e loucuras, e principalmente abraçam a sua realidade da forma mais honesta, às vezes tão maduros que incomodam.
A sensação que se tem é que os personagens extrapolam a tela. Woody Allen sabe exatamente onde fica a linha tênue que separa o clichê barato do elemento cômico que dá leveza a um filme, apesar de tratar de algo tão denso como a natureza dos relacionamentos, o sofrimento e o desejo em cada mudança, a cada lugar novo que se visita, ou mesmo sem sair do quarto.
Vicky Cristina Barcelona é uma coreografia, seus personagens vão e vêem tentando responder se o amor autêntico dá sentido à vida, entre outras perguntas. O engraçado é que a resposta pode estar justamente na música que os guia, na trilha sonora fofíssima, cantada por Giulia & Los Tellarini, que diz: "Por que tanto perder-se, tanto buscar-se sem encontra-se? Barcelona!”.
“A vida é muito curta, pode ser monótona”, diria Juan Antonio, e por essa lógica não há motivos para recusar uma viagem até alguma cidade próxima, simplesmente para apreciar boa arte. E não haveria motivo, também, para recusar uma ida ao cinema mais próximo, apreciar Vicky, Cristina e Barcelona, a cidade que dispensa maiores comentários.
Vale a pena dar uma olhada nesse vídeo com depoimentos desconcertantes de pessoas que compareceram à ex-última noite do Landscape, a Discoteca Kamikaze 3. Créditos para o documentarista brasiliense que se antecipou a Spike Lee no quesito "documentário com câmera de celular".
O 61° Festival de Cannes começa hoje e o filme de abertura é “Blindness” do diretor brasileiro Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”). “Blindness” é uma adaptação do romance ganhador do Prêmio Nobel de Literatura “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago, e conta a história de uma cidade onde todas as pessoas são tomadas por uma repentina cegueira. A única pessoa capaz de enxergar é a esposa de um médico, interpretada por Julianne Moore. Além dela, fazem parte do elenco Mark Ruffalo, Alice Braga, Danny Glover, Gael García Bernal, Sandra Oh, entre outros. As filmagens aconteceram em São Paulo, Canadá e Uruguai e Fernando Meirelles criou um blogespecialmente para contar detalhes de sua experiência durante a produção do longa. “Blindness” tem estréia prevista para setembro aqui no Brasil e você pode conferir o trailer aqui.
Uma ótima oportunidade para conhecer o melhor do cinema, especialmente em se tratando dos clássicos, é acompanhar as mostras exibidas no CCBB - Centro Cultural Banco do Brasil, de Brasília. A CAIXA Cultural também tem promovido encontros interessantes, com testes de audiência de filmes brasileiros que ainda não foram finalizados (o diretor ouve a opinião da platéia ao final da exibição do filme) e com o "Cinema Falado", em que determinada personalidade escolhe um filme que marcou sua vida para ser apresentado e comentado. Os links para os Centros Culturais das duas instituições encontram-se ali na respectiva seção do nosso site, e sempre que possível, insiro na agenda as dicas que envolvem Cultura Pop no tocante a exposições, peças, cinema, etc. Lembro ainda que, em se tratando do que ocorre nestes dois lugares, a entrada é gratuita ou de preço simbólico e, no caso do CCBB, apesar de não se encontrar nas proximidades do centro da cidade, é disponibilizado ônibus gratuito que recolhe passageiros em diversos pontos da cidade, inclusive na UnB.
Enfim! O que acontece precisamente neste momento, começando hoje, no CCBB? Uma mostra que retrata um dos estilos mais belos e charmosos do cinema. Como diria um amigo meu, "uma época em que a vida era mais bonita". Por outro lado, o cinema sempre teve o "fantástico" como característica a ser retratada. Pelo menos, quando comparado ao nosso cotidiano.
Conforme informa o CCBB, a mostra se divide em duas partes: primeiramente, são exibidos filmes que consolidaram a Nouvelle Vague, produzidos entre 1958 e 1969. Aí se incluem os famosos diretores Truffaut e Godard, por exemplo. Por outro lado, também existem filmes herdeiros daquela época em termos de estética e de crítica a valores morais. Os Sonhadores, filme recente de Bernardo Bertolucci (2003), inclui-se nesta categoria.
A mostra Nouvelle Vague Ontem e Hoje tem curadoria do cineasta e jornalista Gustavo Galvão e conta com 19 títulos em exibição. Para conferir sinopse e programação, visite o site do CCBB.
Já que o Bush não conseguiu, Morgan Spurlock se propôs a caçar o homem mais procurado do mundo: Osama Bin Laden. Se você não está ligando o nome à pessoa, Morgan Spurlock é aquele doido que fez um filme pra provar que comer muito o fast-food do McDonald´s não é legal. Lembrou do "Super Size Me"? Então, depois desse elogiado documentário, agora Spurlock chega com o resultado da caçada ao líder da Al-Qaeda, que leva o nome de "Where in the World is Osama Bin Laden?".
O novo documentário de Spurlock estreou no dia 21 de Janeiro no Festival de Cinema Independente de Sundance, mas só deve estrear nos EUA entre março e maio. Como você já deve imaginar, assim como o Bush, ele não conseguiu encontrar o famoso terrorista, mas conseguiu descobrir e se surpreender com a visão que o mundo tem dos EUA. Nada mais propício para esta época de eleições norte-americanas.
Primeiramente quero deixar claro que eu não costumo concordar com os filmes premiados no Oscar, mas como esse é o assunto do momento, resolvi escrever sobre um dos indicados porque acho que esse deve valer o ingresso. "Juno" concorreu a 3 prêmios no Globo de Ouro, mas não ganhou nenhum e desconfio que não será diferente no Oscar. "Juno" concorrerá no dia 24 de fevereiro aos prêmios de melhor filme, melhor diretor, melhor atriz e melhor roteiro original.
Quem assina o roteiro é a ex-stripper e blogueira de 29 anos Brook Busey, mais conhecida como Diablo Cody. Cody ficou famosa depois que cansou da vida de stripper e operadora de tele-sexo e resolveu escrever o blog "Pussy Ranch" e um livro sobre suas experiências como stripper. "Candy Girl: A Year in the Life of an Unlikely Stripper" se tornou um fenômeno de vendas levando Cody a dar inúmeras entrevistas, inclusive no programa de David Letterman. Empolgada com o reconhecimento, ela começou a trabalhar no roteiro de "Juno", uma adolescente que engravida inesperadamente de seu colega de classe e bom, não vou contar o filme.
A atriz canadense Ellen Page interpreta Juno e vem chamando atenção por sua atuação. Ela diz que adorou atuar num longa-metragem apesar do incômodo por causa da barriga falsa que teve que usar durante as gravações. A direção é do também canadense, Jason Reitman que ficou conhecido pelo seu trabalho em "Obrigado por Fumar". O filme tem estréia prevista para o dia 15 de fevereiro aqui no Brasil, então vamos aguardar.
A 58ª edição do Festival de Berlim terá como destaque a estréia mundial de "Shine a Light", documentário de Martin Scorsese sobre a banda Rolling Stones. Para quem nunca foi a um show dos Rolling Stones, o filme dá uma boa idéia de como é estar em um espetáculo da banda, por meio de imagens de arquivo exclusivas, gravações atuais e entrevistas realizadas nos bastidores. As imagens foram captadas em duas apresentações da banda em outubro e novembro de 2006, no Beacon Theatre de Nova York.
O Festival de Berlim começará no dia 07 de fevereiro e, além do documentário de Scorsese, exibirá o primeiro filme de Madonna como diretora, "Filth and Wisdom", na mostra Panorama (que não compete ao Urso de Ouro).
Representando o Brasil, o polêmico "Tropa de Elite" do diretor José Padilha também está confirmado no festival. Outro destaque é o filme "Elegy", dirigido pela espanhola Isabel Coixet ("Minha Vida Sem Mim" e "A Vida Secreta das Palavras"), protagonizado por Penélope Cruz, Ben Kingsley e Dennis Hopper, baseado no romance de Philip Roth. O evento será encerrado no dia 17 de fevereiro com "Be Kind Rewind" (estréia internacional, fora de competição), de Michel Gondry, com Jack Black, Mos Def, Danny Glover, Mia Farrow e Melonie Diaz.
Resta saber quando esses filmes estrearão no Brasil e especialmente, em Brasília. Se for seguir o exemplo de "Control" e o filme anterior do Gondry "Science of Sleep", é bem capaz de termos que nos contentar com as versões que caírem na rede ou esperar que algum amiguinho legal viaje para o exterior e traga um DVD de presente.
ENCONTRADO MORTO PROTAGONISTA DE UM DOS MELHORES FILMES RUINS DA HISTÓRIA, "10 COISAS QUE EU ODEIO EM VOCÊ" (PENSOU NAQUELE DA MONTANHA, NÉ?)
Ontem, terça-feira, dia 22 de janeiro de 2008, foi encontrado o corpo do australiano Heath Ledger, no seu apartamento em Manhattan.
O ator, indicado ao oscar em 2006 pela atuação em O Segredo de Brokeback Mountain onde ficou famoso por interpretar um cowboy gay, estaria esperando uma sessão de massagem (hmm...) e foi encontrado pela governanta por volta das 15h30, horário de NYC. Por enquanto, há suspeitas de uma overdose.
Heath tinha uma filha de dois anos com a atriz Michelle Williams, aquela mina loira de Dawson's Creek. Aquela mesma (eu sei que você assistia, tá?).
E agora fica aquela pergunta. Como disse uma amiga minha... "quem vai pescar com o moreninho?!"
Quem ama o seriado "Sex and The City", vai poder matar saudade da história da colunista Carrie Bradshaw e suas amigas na sala de cinema mais próxima. O filme tem estréia prevista para o dia 30 de maio (04 de julho no Brasil) e vem causando rebuliço desde que começaram a surgir fotos de bastidores e spoilers meses atrás.
A série transmitida pela HBO acabou em 2004 e desde então, começaram os rumores sobre uma adaptação para o cinema. Depois de várias negociações com os atores da série, todos acabaram topando a empreitada que convenhamos, é sucesso garantido.
Quem comanda a direção é Michael Patrick King, produtor executivo da série original pra TV. Além dos atores que participavam do seriado, o filme conta também com a presença de Jennifer Hudson que estrelou o filme "Dreamgirls" ao lado de Beyoncé.
No site oficial do filme você pode conferir o trailer, fotos e um blog cheio de notícias fresquinhas para os fãs mais ávidos acompanharem antes da película estrear.
Com uma proposta que foge ao convencional, “Paris, te amo” apresenta 18 curtas com dois temas em comum: o amor e a capital francesa. Cada curta representa um distrito da cidade que é formada por 20 distritos. Dois curtas ficaram de fora devido a brigas entre produtores. Vários diretores de peso foram convidados para participar desse projeto que vale muito a pena ser conferido. Entre eles estão Walter Salles, Alfonso Cuarón, Gus Van Sant e os Irmãos Coen só para citar alguns.
Os destaques vão para:
“Le Marais” de Gus Van Sant: o diretor de “Elefant” apresenta o amor à primeira vista em uma galeria de arte e fecha com um toque de comédia.
“Tuileries” dos Irmãos Coen: chega na seqüência dando continuidade ao humor e se passa no metrô parisiense.
“Loin du 16ème” de Walter Salles e Daniela Thomas: o menor curta, o mais simples e um dos mais carregados de significado. A prova de que pode-se dizer muito sem palavras, só com o olhar.
“Bastille” de Isabel Coixet: mesma diretora de “Minha vida sem mim” e “A vida secreta das palavras” apresenta um dos contos mais emocionantes e sublimes abordando o renascimento do amor.
“Place des Victoires” de Nobuhiro Suwa: o diretor japonês apresenta o amor materno e a difícil aceitação da morte.
“Père Lachaise” de Wes Craven: não se espante, por incrível que pareça, este conto não é de terror. Apesar de se passar no famoso cemitério parisiense, não há nenhum sangue espirrando, apenas a presença de um fantasminha muito famoso que ajuda um casal a salvar o amor da morte.
“Faubourg Saint Denis” de Tom Tykwer: do mesmo diretor de “Corra, Lola, Corra”, esse é sem dúvida um dos melhores curtas de “Paris, te amo”, se não o melhor. Tem uma das linguagens mais interessantes que remete ao famoso filme do diretor alemão. O amor entre uma atriz e um tradutor cego é belo, dinâmico e surpreendente.
“14th Arrondissement” de Alexander Payne: o mesmo diretor de “Sideways – Entre umas e outras” encerra o filme com um curta que apresenta o amor de uma turista americana pela capital francesa. Engraçado e triste ao mesmo tempo, este conto simples fecha o filme com chave de outro.
Vale lembrar que além de diretores famosos, há também a presença de atores famosos e super competentes que contribuem e muito para a beleza do filme. Fora a cidade que é naturalmente maravilhosa. A edição é excelente e faz com que os curtas se entrelacem formando um conjunto homogêneo. E a trilha sonora, não poderia ficar para trás, você vai sair do cinema ouvindo a belíssima voz da Feist enquanto sobem os créditos.
Um pouco tarde para postar isso aqui, já que a mostra começou em 15/05, mas ainda dá tempo de pegar quase todos os filmes. A UK Brutal traz algumas produções recentes do cinema britânico. Como é de se esperar, uma mostra como esta não se encaixa exatamente nos padrões cinematográficos de Hollywood. O adjetivo "brutal" faz referência a uma "quebra radical com os compromissos mercadológicos, narrativos e estéticos convencionais."
Além da oportunidade de assistir a uma produção de vanguarda inédita no Brasil, a mostra divide-se em temáticas (Adolescência, De Mulheres, Terror, Documentários 1 e 2, Musicais Documentários 1 e 2, Experimental, Run Wrake Retrospectiva, Erótico, Carol Morley, Boca a Boca e o cultuado longa-metragem Gallivant), e a parte de documentários musicais deve interessar bastante quem curte as novas bandas do hype inglês. Kasabian, Libertines, Bloc Party, Art Brut e Le Tigre "protagonizam" alguns filmes, e os mais antigos Add N To (X) e Sex Pistols, também.
Você encontra informações no site do CCBB , mas o Candango está com as sinopses e a programação bem organizados. Dá pra fazer uma grade de horários pra matar tudo fácil!
Você vai levando a sua vidinha medíocre de classe média baixa, indo para o trabalho de segunda à sexta naquele mesmo horário: 9:00 a.m às 18:30 p.m. também conhecido como horário comercial. Nada de interessante acontece na sua vida a ponto de você ter que se distrair contando os movimentos que faz com sua escova de dentes e os passos até chegar na parada de ônibus. Vale dizer que você trabalha com números na Receita Federal. Além disso, você não gosta do seu trabalho. Alguma identificação? Esse é o resumo da rotina de Harold Crick.
Ao ler essa descrição, é fácil imaginar a expressão de uma pessoa que leva uma vida dessas, não é? Ou melhor, a ausência de expressão. Uma coisa meio robô ou homem de lata do “Mágico de Oz”. E Will Ferrell consegue representar esse ser inerte de forma sublime. Porém, ao contrário de um robô ou homem de lata, ele tem um coração, apesar de ter praticamente esquecido de sua existência. Mas tudo muda quando Ana Pascal (Maggie Gyllenhaal) surge em sua vida graças ao trabalho que ele não gostava, vejam só que ironia do destino.
“Mais Estranho Que A Ficção” é uma comédia permeada pela ironia. Passa longe do besteirol, das piadas fáceis. Pode ser classificado como comédia romântica (com umas pitadas de drama), mas sem muito mel. Uma comédia romântica biscoito, levemente doce e nada enjoativa. É o biscoito molhado no leite depois de um dia difícil e de bônus, uma excelente trilha sonora (e diversas homenagens aos Beatles!). Esse filme me fez perceber que por mais estranha e medíocre que a vida seja, ela pode ser tão boa quanto uma obra de ficção. Tudo pode mudar numa quarta-feira pela manhã enquanto você se dirige despreocupadamente para o trabalho.
Olive é uma menina que dá vontade de pegar na mão e levar pra casa. Impossível não se encantar com a sua pureza, inocência e vivacidade infantis. Ela é aquele tipo de menina que não faz a mínima idéia do poder que tem de encantar todos que estão ao seu redor. E é isso que acontece em "Pequena Miss Sunshine", não só a família de Olive é encantada por ela, mas o telespectador também sai completamente rendido por ela e pela história. Mas não vá pensando que ela é uma espécie de Pollyana, boba, insossa e que acha que tudo é feliz e cor-de-rosa. Olive é autêntica, inocente apenas porque tem 7 anos de idade e longe, muito longe de ser boba.
Logo no início do filme, Frank (tio de Olive) ao reencontrá-la depois de algum tempo, solta aquele clichê "nossa, como você cresceu!" e depois emenda "parece até uma pessoa de verdade". A grande questão é essa, no início você pensa que Olive é apenas a criancinha que está lá para enfeitar o filme e não dá nada por ela. Daí você (e o Tio Frank) percebem que se enganaram redondamente, Olive não parece uma pessoa de verdade, ela definitivamente É uma pessoa de verdade. Apenas dois membros da família parecem perceber o incrível potencial de Olive: a mãe e o avô. Você percebe que o tempo inteiro, a mãe a trata como uma pessoa normal, com respeito e sinceridade.
Ao longo da trama, o restante da família vai descobrindo a importância da menina e o quanto ela é maravilhosa (apesar de não saber). O interessante é que isso não é dito com palavras e sim com atitudes. Tudo é tratado com muita sutileza, humor e emoção. Alternando tragédia e comédia sem apelação, a leveza é mantida do início ao fim.
"Pequena Miss Sunshine" é um filme que aborda muitos tópicos, mas o foco principal é sem dúvida, a esperança. Olive é a personificação da esperança. Quando a família inteira se vê completamente desmoronada, todos correm para salvá-la, ou melhor, salvar o sonho dela de ser a Pequena Miss Sunshine.
Está aí um filme que ganhou fácil o primeiro lugar no meu ranking dos melhores filmes de 2006. Porque ele tem um roteiro simples, é leve, inteligente, divertido, apaixonante e sensível sem ser dramático. Você se identifica em meio a todos os imprevistos e conflitos familiares com muito humor e sem ter que torcer o cérebro para entender tudo que o filme quer ensinar. Sim, porque ele é uma lição de vida. Com certeza você não sairá do cinema com a sensação de ter perdido tempo e dinheiro, muito pelo contrário. E não se deixe enganar pelo título porque Olive é grandiosa demais para ser a "Pequena Miss Sunshine".
Está acontecendo desde o dia 1º de agosto o Encontro com o Cinema Brasileiro no cinema do CCBB, de terça a domingo, com sessões às 19h e 21h e ingressos a R$ 4 e R$ 2. Nos dias 03 e 11, a primeira sessão começa às 18h. O destaque vai para o filme “A Concepção” do brasiliense José Eduardo Belmonte que estará discutindo com a platéia o seu segundo e elogiado longa-metragem, no dia 08.
O cineasta formado pela Universidade de Brasília, já dirigiu cinco curtas-metragens e dois longas: “Subterrâneos” e “A Concepção”. Este último, que tem no elenco os atores Matheus Natchtergaele, Milhem Cortaz e Murilo Grossi, utiliza uma linguagem pulsante e jovem dando forma a uma utopia de puro sexo, drogas e rock´n´roll. Em suma, os personagens queimam seus documentos e se reinventam a cada dia, no chamado movimento concepcionista.
O polêmico filme foi premiado com os Candangos de montagem e trilha sonora no Festival de Brasília do ano passado. Um dos pontos positivos da película, a trilha sonora ficou sob a responsabilidade do DJ e compositor ZéPedro Gollo que usou desde nomes consagrados como David Bowie até revelações brasilienses como Superquadra e Prot(o).
Arrisco dizer que “A Concepção” é uma ode ao hedonismo. Um filme altamente contemporâneo que retrata uma juventude tipicamente brasiliense, proporcionando uma forte identificação com quem nasceu aqui. O início do filme apresenta um monólogo que chega a arrancar algumas risadas à medida que a rotina dos jovens brasilienses é retratada em meio a uma fala extremamente sarcástica. Para quem ainda não assistiu e para aqueles que querem assistir novamente, fica a dica.
Confira a programação:
Dia 4, Sexta
19h - A Ostra e o Vento (118 min)21h - Nunca Fomos Tão Felizes (91 min)
Dia 5, Sábado
19h - Filhas do Vento (85 min)21h - O Sonho Não Acabou (99 min)
Dia 6, Domingo
19h - Nunca Fomos Tão Felizes (91 min)21h - Bicho de Sete Cabeças (80 min)
Dia 8, Terça
19h - A ConcepçãoSessão seguida de debate com o diretor José Eduardo Belmonte
Dia 9, Quarta
19h - O Sonho Não Acabou (99 min)21h - Filhas do Vento (85 min)
Dia 10, Quinta
19h - Nunca Fomos Tão Felizes (91 min)21h - A Ostra e o Vento (118 minutos)
Dia 11, Sexta
18h - Abril Despedaçado (105 min)20h - Lavoura Arcaica (163 min)
Dia 12, Sábado
19h - Casa de Areia (103 min) 21h - Bicho de Sete Cabeças (80 min)
Dia 13, Domingo
19h - O Sonho Não Acabou (99 min)21h - A Concepção (96 min)
SERVIÇO:Encontro com o cinema brasileiro – Conflito de gerações na telaLocal: Cinema do Centro Cultural Banco do BrasilData: de 1o a 13 de agosto de 2006Horários: 19h e 21hIngressos: R$ 4 e R$ 2Informações: 3310. 7087